O cenário político do Paraguai atravessou um dos momentos mais turbulentos de sua história recente nesta sexta-feira (6). O ex-presidente Santiago Peña foi detido por determinação do Ministério Público, poucas horas depois de ser destituído do cargo por meio de um processo de impeachment aprovado pelo Congresso Nacional. A medida está relacionada às investigações sobre o escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank, instituição que entrou em colapso e desencadeou uma grave crise no país.
A ordem de prisão foi expedida por quatro integrantes do Ministério Público responsáveis pela investigação das supostas irregularidades financeiras. Após a determinação, agentes da Polícia Nacional foram até a residência de Peña, em Assunção, onde o ex-mandatário passou a cumprir prisão domiciliar, enquanto aguarda os próximos encaminhamentos das autoridades.
A investigação apura possíveis crimes relacionados à gestão da instituição financeira, incluindo suspeitas de lesão de confiança e outras irregularidades. O caso ganhou proporções ainda maiores após a intervenção das autoridades financeiras no Ueno Bank, cuja crise provocou repercussões econômicas e políticas no Paraguai.
Ex-presidente do Banco Central também é alvo de prisão
Além de Santiago Peña, os promotores determinaram a prisão de Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, que ocupou anteriormente a presidência do Banco Central do Paraguai.
De acordo com as determinações do Ministério Público, os dois investigados deverão ser colocados à disposição das autoridades competentes dentro dos prazos previstos na legislação, com respeito aos direitos e garantias individuais.
No caso de Carvallo, a ordem prevê detenção em dependência policial, enquanto Peña deverá permanecer inicialmente em sua residência.
Crise bancária provoca mudança no comando do país
A destituição de Santiago Peña ocorreu em meio à repercussão do fechamento do Ueno Bank e às suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição financeira e autoridades públicas.
O processo de impeachment foi concluído pelo Senado paraguaio, que aprovou a saída do então presidente. Com a decisão, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Poder Executivo.
A crise colocou sob investigação a relação entre o governo, o sistema financeiro e os mecanismos de fiscalização bancária do país.
As investigações sobre o Ueno Bank continuam em andamento. As suspeitas atribuídas aos envolvidos ainda deverão ser examinadas pelas autoridades judiciais paraguaias.


